Crescimento pessoal: por que você sente que não sai do lugar, mesmo tentando mudar?
Você está tentando mudar. Está lendo, aprendendo, refletindo.
Talvez já tenha feito terapia por um tempo. Talvez leia sobre desenvolvimento pessoal com frequência. Ou seja, talvez tenha tentado criar hábitos novos mais de uma vez.
E mesmo assim, quando olha para a própria vida, sente que continua no mesmo lugar.
As mesmas situações se repetem. Os mesmos padrões voltam. A mesma sensação de que, por mais que você se esforce, algo não avança de verdade.
Esse sentimento é real. E ele merece ser olhado com honestidade, não com mais uma lista de coisas para fazer.

Por que a mudança parece invisível no começo?
Existe uma coisa sobre mudança real que quase ninguém fala: ela costuma ser imperceptível enquanto está acontecendo.
Você não acorda um dia transformada. O processo é feito de pequenas alterações internas que se acumulam ao longo do tempo, mas que raramente produzem um antes e depois visível no curto prazo.
O problema é que a maioria das pessoas mede o próprio crescimento olhando para os resultados externos.
Mudei de emprego? Melhorei meu relacionamento? Perdi o hábito ruim de vez? Se nenhuma dessas coisas aconteceu, a conclusão automática é que não houve mudança.
Só que mudança interna quase sempre precede mudança externa. Você passa meses processando algo, ajustando uma crença, respondendo de forma diferente a uma situação, antes de qualquer resultado aparecer de forma visível na sua vida.
Não ver progresso não significa que não há progresso. Pode significar que você está num momento em que o trabalho está acontecendo por dentro, ainda sem reflexo claro por fora.
O erro de medir crescimento apenas pelos resultados

Esse é um dos pontos que mais alimenta a sensação de estagnação em quem está genuinamente num processo de mudança.
Quando o único critério de sucesso é o resultado final, tudo que acontece antes parece não contar.
E aí você passa meses fazendo um trabalho real, aprendendo, errando, ajustando, sem conseguir reconhecer nada disso como progresso porque ainda não chegou onde quer.
Uma forma mais honesta de medir crescimento pessoal é observar o processo, não só o destino.
Você hoje reage da mesma forma que reagia há seis meses numa situação difícil?
Você hoje faz as mesmas escolhas que fazia antes em relação a um padrão que estava tentando mudar? Porém, você hoje tem as mesmas conversas internas que tinha quando começou?
Se algo mudou nessas respostas, mesmo que pequeno, isso é crescimento real. Mesmo que o resultado externo ainda não tenha aparecido.
Como a comparação faz você acreditar que está parada
A comparação com outras pessoas é um dos atalhos mais rápidos para a sensação de estagnação.
Você olha para alguém que parece ter resolvido exatamente o que você ainda está tentando resolver. E a conclusão automática é que ela avançou e você ficou para trás.
Só que você não está vendo o processo dela. Está vendo um recorte. Os bastidores, as recaídas, o tempo que levou, o que ainda está em aberto, nada disso aparece no que você observa de fora.
Some a isso o fato de que cada pessoa carrega uma história diferente, com camadas diferentes, com recursos emocionais diferentes. Comparar onde você está com onde outra pessoa está é ignorar tudo isso.
Muitas vezes a comparação não acontece porque você quer competir com alguém. Ela acontece porque você está tentando descobrir se está atrasada na própria vida.
O problema é que cada pessoa está lidando com desafios, oportunidades e tempos diferentes. Comparar trajetórias diferentes costuma gerar mais cobrança do que clareza.
Crescimento pessoal não é uma corrida com classificação. É um processo individual que tem o seu próprio ritmo, e esse ritmo não tem nada a ver com o de ninguém ao seu redor.
Sinais de que você está evoluindo mesmo sem perceber.
Às vezes ajuda ter um outro jeito de olhar para o próprio processo. Alguns sinais de crescimento que costumam passar despercebidos:
Você percebeu um padrão seu que antes era completamente invisível. Perceber já é mudança. A maioria das pessoas passa anos repetindo comportamentos sem nunca conseguir nomeá-los.
Você sentiu desconforto num limite que antes você não conseguia colocar, mas colocou mesmo assim. Agir diferente do padrão, mesmo com ansiedade, é movimento real.
Você teve uma recaída num hábito ou comportamento, mas voltou mais rápido do que antes. A velocidade do retorno é um dado de crescimento que quase ninguém mede.
Você se cobrou menos depois de errar do que costumava fazer. Autocompaixão crescendo é desenvolvimento pessoal acontecendo.
Você reconheceu num momento difícil que estava reagindo de uma forma antiga e conseguiu pausar, mesmo que não tenha mudado a ação completamente. A pausa já é diferente do automático.
Nenhum desses sinais aparece numa análise de resultados. Mas todos eles são evidências de que algo está mudando.
O que está por trás da sensação de não sair do lugar?
Algumas vezes a sensação de estagnação tem uma raiz mais específica que vale olhar.
Quando você está tentando mudar e continua voltando ao mesmo padrão, pode ser que a mudança que você está tentando fazer ainda não tenha chegado à camada onde o padrão mora.
Você está tentando mudar o comportamento sem ainda ter tocado na crença que o alimenta.
Por exemplo: você tenta criar consistência numa rotina, mas continua abandonando.
Trabalhar só na rotina pode não ser suficiente se, por trás, existe a crença de que você não merece ter disciplina, ou que vai falhar de qualquer forma, ou que não é o tipo de pessoa que consegue manter hábitos.
A mudança duradoura costuma precisar chegar nessa camada mais funda. E isso leva tempo.
Não porque você está falhando, mas porque é um trabalho mais lento e menos visível do que qualquer lista de hábitos consegue alcançar.
O que fazer quando sentir que não está avançando?
Quando a sensação de estagnação aparecer, algumas perguntas podem ajudar mais do que qualquer solução nova:
O que mudou nos últimos meses, mesmo que pequeno? Às vezes a resposta está em lugares que você não estava olhando.
Estou medindo crescimento pelo resultado ou pelo processo? Se for só pelo resultado, pode valer ampliar o critério.
Estou comparando meu progresso com o de alguém cuja história eu não conheço de verdade? Se sim, essa comparação não está sendo justa.
O que eu estou tentando mudar realmente chegou na raiz do padrão, ou ainda está na superfície? Essa pergunta pode apontar para um trabalho mais profundo que precisa acontecer.
Estou dando tempo suficiente para o processo, ou estou esperando resultado num prazo que mudança real não consegue cumprir?
Essas perguntas não resolvem tudo. Mas elas trocam a pergunta “por que não estou avançando?” pela pergunta “o que está acontecendo de verdade?”. E isso muda a forma de olhar para o próprio processo.

Resumo do que vale lembrar.
- Mudança interna precede mudança externa, e o intervalo entre as duas pode ser longo.
- Medir crescimento só por resultados ignora todo o processo que os antecede.
- Comparação com outras pessoas não é uma régua justa para o próprio progresso.
- Recaída mais curta, pausa antes de reagir, autocobrança menor são sinais reais de crescimento.
- Quando um padrão persiste, pode ser que a mudança ainda não tenha chegado à camada onde ele mora.
- Dar tempo suficiente para o processo é parte do processo.
Para terminar,
Sentir que não sai do lugar enquanto está genuinamente tentando mudar é uma das experiências mais frustrantes do crescimento pessoal.
Mas esse sentimento, na maioria das vezes, não reflete a realidade do que está acontecendo. Ele reflete a distância entre onde você está e onde quer estar, sem contabilizar o caminho que já foi percorrido.
Você pode estar mais diferente do que era há um ano do que consegue ver agora. E esse trabalho invisível que está sendo feito é real, mesmo quando não aparece ainda em nenhum resultado externo.
Continue. Não porque vai ser fácil. Mas por que você já está no meio de algo que vale terminar?
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